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Aprenda a se livrar dos medos

Publicado em 28 de Oct de 2013 por Leticia Maciel | Comente!

A raiz dos temores - como o medo de ficar sozinho ou de ficar doente - pode estar nas crenças que construímos sobre eles ao longo da vida. Mudar a forma de pensar é o primeiro passo para aprender a gerenciá-los


  • Solidão

    O cenário: outros receios estão no cerne desse sentimento: não receber amparo quando se precisa e não vivenciar trocas afetivas.
    A estratégia: o medo perdura enquanto você estiver fugindo dele. A dica é se expor, gradualmente, ao que causa temor. “É menos doloroso sofrer alguns instantes, enfrentando-o e desmistificando-o, do que conviver com o seu fantasma, durante a vida”, diz a psicóloga Jovita Hufen da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC). “Retome o contato consigo e tente resolver seus problemas. Logo se sentirá independente”, completa.

  • Morte

    O cenário: o medo da morte também pode ser o temor da saudade, de sentir dor e a diluição da identidade.
    A estratégia: vale uma reflexão sobre como a morte é entendida. “Se vista como algo natural, que ocorre com todos e que nos entristece, mas podemos superá-la, o medo reduz”, destaca Aline. E a forma como se lida com o luto é importante. “Ao pensar que se alguém próximo falecer eu não saberá viver sem essa pessoa, o medo será maior”, finaliza.

  • Adoecer

    O cenário: o perigo relaciona-se à dor e à morte. “Tenta-se evitar sofrer de forma intensa, perder a qualidade de vida ou a chance de estar mais tempo vivo ao lado de pessoas importantes e realizando objetivos de vida”, decifra o psicólogo Pereira (RJ).
    A estratégia: uma pessoa com medo de contrair uma doença pode evitar exames médicos. Ao fugir, a ansiedade diminui, mas o medo aumenta. O ideal é enfrentar o que gera medo. “A esta reação dá-se o nome de habituação”, diz Pereira. Outra boa atitude é reestruturar os pensamentos para ir ao núcleo do problema. “Ao entender seu medo, a pessoa terá mais chances de manejar de forma mais funcional sua ansiedade”, completa.

  • Envelhecer

    O cenário: quem tem medo do envelhecimento teme, na verdade, a deterioração das funções do corpo, das relações sociais, a perda da beleza, a perspectiva da morte, o envelhecer só, sentir-se inútil ou mesmo não ser capaz de concretizar uma recolocação no mercado de trabalho por conta da idade avançada.
    A estratégia: como o medo geralmente se estabelece de situações desconhecidas, a melhor estratégia é aprender a envelhecer com nossos próprios pares. Sendo assim, o ideal é procurar na família ou na mídia exemplos de pessoas que enfrentam o passar dos anos de modo ativo, trabalhando e produzindo. Bons modelos não faltam. “Artistas como Mauricio de Souza, Marília Pera e Milton Nascimento já passaram da casa dos 70 anos sem que a opinião pública, de modo geral, os percebam como idosos”, lembra a psicóloga Angélica Capelari.

  • Crescer

    O cenário: o medo de crescer pode representar para o jovem excesso de responsabilidade, perda de amigos, crises financeiras, perda dos pais, aproximação da morte, trabalho pesado ou ainda perda da suposta ‘melhor fase da vida’.
    A estratégia: “As nossas interpretações dos acontecimentos determinam as nossas emoções. Muitas pessoas podem ter recebido informações distorcidas dos próprios pais sobre o que é ser adulto”, explica Pereira. “Há, ainda, pessoas que foram superprotegidas na infância e que não desenvolveram uma  autoestima segura, tornando os desafios normais da vida adulta em ameaças que terão dificuldades em enfrentar”, acrescenta. Acontecimentos interpretados como negativos podem ser apenas incertos.

  • Escuro

    O cenário: qualquer situação que tenha gerado medo na criança algum dia – como um relato de violência ouvido na televisão, por exemplo — pode ser imaginada futuramente como “escondida” no escuro. “A criança vê este escuro como algo perigoso, no qual monstros ou bandidos poderão emergir a qualquer momento para machucá-la ou levá-la para longe dos pais”, revela Caroline Drehmer Pilatti, psicóloga da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC).
    A estratégia: os pais precisam compreender o medo da criança sem desmerecê-lo. Para isso, podem acompanhar as crianças aos locais onde elas não se sentem seguras, mostrando o ambiente, fazendo conferências no local e permanecendo um tempo com ela. Ursinhos, bonecas ou mesmo luzes indiretas também funcionam como objetos de segurança. “Jamais obrigue a criança a permanecer num local onde ela não está se sentindo segura. Exigir que ela fique no escuro, por exemplo, pode intensificar mais o medo”, adverte Caroline.

  • Casar

    O cenário: graças a diversas conquistas sociais, o casamento é hoje uma instituição que pode ser desfeita quando não há mais amor entre o casal. Sendo assim, o medo de envolvimento afetivo pode ser um temor inconsciente da separação: evita-se o sofrimento do divórcio não casando. A convivência com o parceiro ao longo dos anos também pode ser entendida como um peso, levando ao afastamento.
    A estratégia: o ideal é refletir sobre as fantasias acerca da separação. Nem todos os casamentos terminam em divórcio. Os “pactos” que envolvem a relação podem ser atualizados com o passar dos anos, gerando aproximação afetiva e cumplicidade para que os problemas matrimoniais sejam enfrentados em conjunto. Uma segunda estratégia é refletir sobre os sinais que o parceiro possa estar emitindo e que levam ao afastamento. “Por exemplo, quando o parceiro vem de uma família complicada, pode haver a ideia de que se casar com ele é levar o ‘pacote’ junto”, ilustra Angélica.

  • Fracassar

    Cenário: pessoas que têm medo de falhar geralmente alimentam a crença que devem ser perfeitas. Com isso, temem se frustrarem e frustrarem os outros. A baixa autoestima também está associada ao problema.
    A estratégia: “Uma dica é a pessoa fazer atividades que desenvolva a sua autoconfiança”, sugere Jovita Hufen, psicóloga da ABPMC. Outra estratégia é mudar a percepção do que é o fracasso, tornando-o mais leve. “O fracasso é muitas vezes parte do processo de aprender a vencer. Muitas pessoas têm medo de falhar porque provavelmente desconhecem o que realmente é preciso para terem sucesso”, explica.

Texto: Leonardo Valle/ Ilutração: Isa Santos/Adaptação: Letícia Maciel

Revista VivaSaúde Edição 126



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