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Para não esquecer nadinha: pesquisador ensina técnicas para ajudar na memória

Fabiano de Abreu detalha como é o funcionamento da memória e quais os impactos excesso de estímulos nesse processo

VIVA SAÚDE Publicado quinta 2 setembro, 2021

Fabiano de Abreu detalha como é o funcionamento da memória e quais os impactos excesso de estímulos nesse processo
Pesquisador ensina técnicas para ajudar na memória - Freepik

O esquecimento de coisas cotidianas, ou a chamada falta de memória, tem se tornado um problema recorrente da nossa época. E o excesso de tecnologia tem contribuído para este processo. A grande quantidade de estímulos que recebemos dificulta o armazenamento das informações devido às disfunções nos neurotransmissores, que afetam, inclusive, um dos fatores determinantes para a memorização que é a atenção. A boa notícia é que existem meios simples e práticos de melhorar a capacidade de memorização.

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De acordo com um estudo do pesquisador Fabiano de Abreu, primeiro deve-se entender que a memória tem três estágios: o da Codificação, quando entra em contato com a informação; o do Armazenamento, onde cérebro guarda a informação e o da Recuperação, que é a evocação tardia dessa informação.

Além disso, segundo Abreu, dois fatores são essenciais nessa ação: atividade física e boa alimentação. A atividade física ajuda a configurar a motivação cerebral e deixa o cérebro mais apto para o raciocínio lógico e a alimentação saudável também contribui para deixar o cérebro mais turbinado, com velocidade no processamento de dados e encadeamento de ideias lógicas.

“Há também a facilidade em usar o lobo pré-frontal coordenando e manipulando as emoções, promovendo mecanismos, métodos para o foco atencional e na emoção para a memorização”, completa.

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É possível melhorar ainda mais essa habilidade? Para o pesquisador, sim.

“Vale destacar, inclusive, que a memória é trabalhada desde muito cedo. Nas crianças, por exemplo, as que praticam a leitura, em relação às que não praticam, a memorização de conteúdos acontece de forma muito mais fácil, uma vez que as que lêm mais, têm mais contato com coisas “novas” e já estivessem com o cérebro mais adaptado para aprender e, consequentemente, memorizar”, explica.

Fabiano de Abreu afirma que quando já adulto também é possível favorecer a memorização com hábitos simples.

Confira:

•   Escutar música clássica, sem muita mistura de instrumentos, música que não tire o foco, mas possa dividir a atenção de forma suave de maneira que aumente o foco na aprendizagem.

•   Dormir de noite, não de madrugada, oito horas por dia, evitar luzes diante da vista antes de dormir.

•   Ler de forma fracionada, por curtos períodos de tempo, mas com frequência. As sinapses crescem à noite, durante o sono, por isso vale mais, por exemplo, estudar aos poucos todos os dias.

•   Evitar distrações, para isso, desligue tudo o que tiver ao redor, coloque telefone celular em modo avião e se recolha para aumentar a concentração.

•   Leitura de 20 minutos antes de dormir pode facilitar a consolidação da memória.

•   Cria na imaginação histórias do que pretende memorizar.

•   Associe o que quer memorizar com algo que já é do conhecimento.

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Sobre o autor

Fabiano de Abreu Rodrigues é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, com especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios (Harvard). É membro da Mensa International, a associação de pessoas mais inteligentes do mundo, da Sociedade Portuguesa de Neurociência e da Federação Europeia de Neurociência. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), considerado o principal cientista nacional para estudos de inteligência e alto QI.

Último acesso: 17 Sep 2021 - 03:40:38 (3229).