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Tudo sobre a reposição hormonal feminina

Publicado em 02 de Jul de 2015 por Marília Alencar | Comente!

A chegada da menopausa é marcada por inúmeros sintomas e outras tantas dúvidas sobre a terapia de reposição hormonal. Para responder a essas questões, perguntamos aos ginecologistas quais são os reais benefícios e malefícios do tratamento para a mulher



Texto Rose Mercatelli /Foto: Shutterstock/ Adaptação: Marília Alencar

Reposição Hormonal
(Foto: Shutterstock)

Ondas de calor seguidas de suores frios, insônia, pele seca, falta de lubrificação vaginal, baixa libido, alterações de humor, depressão. Esses sintomas que, em geral, surgem depois dos 50 anos, são indícios de que a mulher logo entrará na menopausa, etapa da vida que se caracteriza pela total interrupção da menstruação e pelo fim da fase reprodutiva feminina. Algumas nem sentem a passagem, outras, entretanto, sofrem com maior ou menor intensidade o desconforto desses sintomas. Anos atrás, pacientes e médicos não hesitavam em apelar para a terapia de reposição hormonal (TRH) para diminuir a força dos sintomas.

Porém, de março de 2002 para cá, muita coisa mudou nessecenário. Por essa época foi publicado pelo Journal of the American Medical Association um estudo conhecido como Women’s Health Initiative, com 27 mil mulheres americanas, todas na menopausa. A pesquisa foi realizada para avaliar os efeitos daTRH sobre os riscos do infarto do miocárdio e do câncer de mama. Segundo o estudo, houve um aumento da incidência de câncer de mama, infartos, derrames cerebrais e trombose venosa. Em compensação, diminuíram os casos de fraturas ósseas por osteoporose e câncer de colo retal.

Dois pesos, duas medidas

A partir desse estudo, a reposição hormonal virou assunto controverso entre os médicos. Se antes dele, os ginecologistas não vacilavam em receitar hormônios para compensar a diminuição natural de estrogênios e progesterona no período da menopausa, hoje existem até os que se colocaram totalmente contra a TRH. Entretanto, a maioria dos especialistas, sem diminuir a importância do estudo, acredita que alguns dados podem ser questionados por causa da metodologia usada:

“A média de idade das mulheres era bem acima dos 50 anos e elas tomaram apenas um tipo de hormônio combinado. Daí, o resultado da pesquisa acabou sendo generalizado para todos os casos, o que comprometeu a TRH como um todo”, explica Rodolfo Strufaldi, ginecologista, coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), em São Bernardo do Campo, SP, e professor de Ginecologia da Faculdade de Medicinado ABC.

Por outro lado, as conclusões do estudo levaram a comunidade científica a rever a conduta em relação à terapia de reposição hormonal. Strufaldi acredita que, depois da divulgação do trabalho, a TRH “ganhou” critérios mais rigorosos que até então não existiam. “Hoje, ela é indicada para mulheres que realmente precisam abrandar os sintomas e não para todas, apenas porque estão entrando na menopausa. E, como os eventuais problemas podem ser perfeitamente controláveis, um acompanhamento dessa paciente a cada seis meses ou, pelo menos, a cada ano, diminui os riscos para o organismo feminino”, avisa o ginecologista.

Sintomas abrandados

Controvérsias à parte, a maioria os ginecologistas reconhece: “A TRH tem seu valor porque melhora os sintomas das mulheres que são afetadas pelas ondas de calor, entre outros desconfortos da perimenopausa, período de transição que marca o fim da vida reprodutiva. Por isso, não dá para descartar totalmente essa opção quando é necessária. O importante é, antes de tudo, pesar os riscos e os benefícios em cada caso”, alerta Yong Joo, ginecologista e mastologista do Hospital São Camilo Ipiranga (SP).

Revista VivaSaúde / Edição 64



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