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6 ex-vilões da dieta

Publicado em 23 de Oct de 2015 por Marília Alencar | Comente!

No passado, muitos alimentos eram proibidos à mesa por serem nocivos à saúde do coração ou do corpo em geral. Mas o futuro redimiu alguns deles e nós explicamos o porquê


  • Carne: desde que magra e grelhada 

    Fama: Quem é diabético não pode comer carne em razão dos riscos cardiovasculares.

    Realidade: Controle da dieta está no topo das medidas para controle do diabetes. As proteínas não estão excluídas. Uma pesquisa de Harvard concluiu que a carne ajuda a regular a ação da insulina, diminuindo em até 28% o risco da doença. O estudo avaliou 80 mil mulheres com idades entre 33 e 60 anos. 

    Consumo: Uma porção diária entre 160 g e 220 g (dois filés pequenos). Opte pelos cortes com menos gordura saturada, como maminha, contra-filé, músculo e patinho.

    Preparo: A forma de preparo da carne pode aumentar a probabilidade de câncer. Os grelhados e os churrascos – cozimentos que escurecem a superfície da carne aumentam esse risco.

  • Ovo: quase todos os dias

    Fama: Rico em colesterol, ele estaria relacionado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Realidade: Um estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA, acompanhou os hábitos alimentares de 9.734 pessoas por 20 anos. Não houve relação entre o consumo de ovo e a incidência de doenças cardiovasculares. “O colesterol é proveniente do metabolismo das gorduras. Ele circula no sangue e seu aumento está mais vinculado a uma tendência genética do que propriamente à dieta. Algumas famílias têm alteração de colesterol, porém a dieta contribui em 30% nesse aumento”, explica Andréa Pereira, nutróloga do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

    Consumo: Um ovo quatro vezes na semana. Crianças e vegetarianos podem consumir seis ovos por semana.

    Preparo: “Na forma cozida ou grelhada temos uma maior absorção de suas propriedades”, indica Andréa. Evite o ovo cru – pois há risco de contaminação pela bactéria Salmonella – e fritá-lo. Em excesso, o óleo de cozinha pode predispor o corpo a doenças cardiovasculares e ainda libera toxinas quando superaquecido.

  • Crustáceos: não afetam o colesterol e causam reações cutâneas só em alérgicos

    Fama: Sua gordura aumentaria os níveis do colesterol total. O alimento ainda deveria ser evitado após cirurgias ou tatuagens, pois poderia provocar reações alérgicas na pele.

    Realidade: Em 1996, pesquisadores da Universidade Rockefeller (EUA) testaram uma dieta diária com camarão em 18 pessoas com níveis de colesterol normais. A dieta não elevou os níveis de colesterol total dos participantes.“Além disso, não há comprovação científica de que os crustáceos possam provocar reações alérgicas na pele. Isso poderá acontecer apenas com indivíduos que já têm alergia comprovada ao alimento”, defende Jennifer Partika, nutricionista do Hospital Santa Cruz de Curitiba (PR).

    Consumo: 100 g de camarão, uma vez nasemana (para pessoas saudáveis e sem comorbidades).

    Preparo: Descongele apenas a quantidade que será consumida no dia. Evite prepará-los na forma de frituras, pois perdem nutrientes e se tornam calóricos. Cozinhe no vapor ou em água, sem exagerar no tempo.

    #DICAVIVASAUDE: Carentes de cálcio podem consumir frutos do mar, fontes do mineral. Ele se relaciona à saúde de ossos e cartilagens, além do metabolismo celular. Tais estruturas precisam do cálcio para que o processo ocorra adequadamente.

  • Chocolate: é melhor até que o vinho para as doenças vasculares

    Fama: Excesso de gorduras e calorias levaria à obesidade e aumentaria o risco de doenças cardiovasculares.

    Realidade: “O chocolate com maior índice de cacau contém gordura rica em antioxidantes e não interfere no colesterol”, explica Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Samaritano de São Paulo. “São flavonoides, epicatequinas e ácido galático que combatem os radicais livres, responsáveis por processos como doenças vasculares”, completa. Pesquisa realizada pela Universidade de Cornell (EUA) mostrou que o potencial antioxidante do cacau pode ser duas vezes maior que o do vinho e cinco vezes maior que o do chá verde. A substância tem ainda ação anti-inflamatória, previne o envelhecimento precoce, câncer, doenças cardiovasculares e degenerativas, como o Alzheimer.

    Consumo: Trinta gramas, três vezes na semana. Os melhores tipos de chocolate são o extra-amargo (75% a 85% de cacau) e o amargo (50% a 75% de cacau). O chocolate ao leite conta com míseros 10% de cacau e recebe açúcar e a gordura saturada. Já o chocolate branco é preparado apenas com a manteiga do cacau – parte gordurosa das sementes – e não possui os benefícios da fruta.

  • Gordura: A boa, baixa em 30% o risco cardiovascular

    Fama: Predispõem à obesidade e à obstrução de vasos e artérias, levando a doenças cardiovasculares.

    Realidade: “As gorduras possuem funções no organismo como transporte de vitaminas lipossólúveis, fornecimento de energia, síntese de hormônios, formação de novas células, entre outras”, lembra Cintya Bassi, nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão (SP). De acordo com uma pesquisa da Harvard School of Public Health publicada em 1999 no The American Journal of Clinical Nutrition, substituir 5% da energia proveniente da gordura saturada (encontrada em carnes, leites e vegetais como coco) pela monoinsaturada (presente no azeite de oliva, canola, abacate, amendoim) diminui em 30% a possibilidade de doenças cardiovasculares. Há ainda evidências de que alguns tipos de gordura saturada podem fazer bem à saúde, ajudando no emagrecimento. É o caso do ácido linoleico conjugado (CLA), presente na carne de vaca e no leite. Porém, há ainda a necessidade de mais estudos.

    Consumo: Dez por cento do valor calórico total (VCT) da dieta para adultos saudáveis, ou seja, 200 calorias, podem ser provindo das gorduras saturadas.

    Preparo: As gorduras boas podem ter suas composições químicas alteradas quando aquecidas, tornando-se tóxicas. No caso dos óleos vegetais, é preciso respeitar o chamado ponto de fumaça. Toda vez que os de canola, milho, arroz, soja, girassol e azeite de oliva produzem fumaça é preciso descartá-los.

  • Café: na medida protege as coronárias

    Fama: A ingestão do café causaria irritação no estômago, irritabilidade e agitação – verdades se a bebida for consumida em excesso.

    Realidade: “Há evidências de que o café pode reduzir o colesterol, auxiliar no combate a doenças coronarianas, proporcionar efeitos antidepressivos, reduzir o risco do Parkinson, proteger contra o diabetes do tipo 2, desenvolver ação antioxidante e auxiliar na prevenção de alguns tipos de câncer, como cólon e reto”, lista Marisa Resende Coutinho, nutricionista da rede de Hospitais São Camilo (SP).

    Consumo: Até quatro xícaras pequenas por dia.

    Preparo: Prepare a quantidade de bebida para consumo imediato ou, no máximo, durante a hora seguinte. Utilize aproximadamente seis colheres (sopa) de pó para cada litro de água. Não deixe a água ferver, mantendo a temperatura entre 90 °C e 100 °C.

Texto Leonardo Valle / Fotos: Shutetrstock 

O tempo não para”, já dizia o cantor e compositor Cazuza. A ciência também não. Graças ao aperfeiçoamento da tecnologia e ao aprofundamento das pesquisas na área de nutrição, alimentos que foram considerados vilões nos anos 1980 e 1990 conseguiram – finalmente – ser redimidos. Mas por que esse tipo de confusão acontece? O motivo é que as pesquisas partem de uma pergunta para chegar a uma determinada resposta que, no futuro, poderá ser invalidada por uma série de situações não observadas anteriormente. Há outras situações em que a conclusão de uma pesquisa do passado leva outros pesquisadores a terem novos insights, fazendo com que o assunto seja cada vez mais aprofundado nos estudos seguintes. Assim como acontece com uma escada, é necessário avançar degrau por degrau até se chegar a uma determinada conclusão. Por fim, há ainda aquelas crenças populares que, de tanto serem repetidas, acabam ganhando ares de verdade.

Como interpretar dados

O alimento passa a ter uma má reputação mesmo não havendo nenhuma pesquisa sobre o assunto que comprove seus malefícios. Nesses casos, é justamente o papel da ciência esclarecer o mal-entendido e divulgar para a população informações realmente confiáveis. A lista de alimentos que foram tidos como vilões no passado é grande e inclui ovo, carne, chocolate, café, crustáceos e gorduras. Em comum, todos venceram preconceitos e conquistaram novamente seu lugar ao sol na dieta do brasileiro. Confira, a seguir, o que os estudos mais recentes dizem sobre eles.

Revista VivaSaúde/ Edição 149



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