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Estudo Mosaico de vacina preventiva contra o HIV chega ao Brasil

Alguns hospitais já começaram as visitas de triagem de participantes

VIVA SAÚDE Publicado sexta 20 novembro, 2020

Alguns hospitais já começaram as visitas de triagem de participantes
Estudo Mosaico de vacina preventiva contra o HIV chega ao Brasil - Freepik

Sabia que desde que a pandemia de HIV foi reconhecida, na década de 1980, os pesquisadores tentam desenvolver uma vacina contra esse vírus?

Já foram testadas diversas candidatas, sendo a maioria delas com resultados pouco animadores, por não mostrarem nenhuma proteção ou até mesmo por aumentarem o risco da aquisição do HIV.

A única vacina experimental que até hoje demonstrou alguma eficácia na prevenção do problema foi a ALVAC/AIDSVAX, cujos resultados do ensaio clínico de fase 3 foram publicados em dezembro de 2009. Nesse estudo, conduzido na Tailândia com mais de 16 mil participantes, houve redução de cerca de 30% nas infecções entre os indivíduos vacinados, quando comparados com os que receberam placebo. 

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MUDANÇAS 

Agora pode ser que as coisas comecem a mudar nesse cenário. Uma nova vacina, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, conseguiu a proteção inédita de 67% em experimentos realizados com macacos.

Ela utiliza como vetor o Adenovírus 26, um vírus inofensivo aos seres humanos, usado na vacina apenas para carregar enxertado no seu material genético as informações para a produção de proteínas do HIV. Depois de injetado em uma pessoa, esse vírus vai ser replicar e produzir essas proteínas do HIV, provocando uma resposta de defesa contra elas e contra o HIV, sem que essa pessoa tenha tido qualquer contato com o vírus verdadeiro.

Em seres humanos, já existem estudos mostrando que essa nova vacina não tem efeitos colaterais graves e que consegue induzir a produção de anticorpos de maneira satisfatória entre os vacinados. Resta agora saber se esses anticorpos podem proteger de uma infecção por HIV tão bem quanto protegeu os macacos.

Para responder a essa dúvida, dois grandes ensaios clínicos estão sendo realizados simultaneamente para testar a eficácia protetora da vacina. O primeiro deles se chama Imbokodo, estudo que incluiu, entre 2017 e 2019, 2.637 mulheres cisgênero de 18 a 29 anos de idade na África do Sul, Zimbábue, Moçambique, Zâmbia e Maláui. Todos eles países que têm uma epidemia de HIV concentrada entre mulheres cisgênero heterossexuais. 

ESTUDO MOSAICO

Agora, um segundo estudo chamado Mosaico pretende recrutar 3.800 homens gays ou bissexuais, e pessoas transgênero nas Américas e Europa, regiões que apresentam a epidemia concentrada nesses grupos.

Nos dois estudos, os participantes incluídos devem ser considerados vulneráveis ao HIV. Eles serão sorteados para receber aleatoriamente as quatro doses da vacina experimental ou de placebo. Receberão também todo o suporte atualmente disponível para a prevenção do HIV e serão acompanhados por cerca de 2 anos, fazendo testagens trimestrais para esse vírus.

No Brasil, o estudo Mosaico vai recrutar participantes em São Paulo (no Hospital das Clínicas da FMUSP, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e no CRT DST Aids), no Rio de Janeiro (na Fiocruz e no Hospital Geral de Nova Iguaçu), em Belo Horizonte (na UFMG), em Manaus (na Fundação Medicina Tropical) e em Curitiba (no Centro Médico São Francisco).

Alguns desses centros já até começaram as visitas de triagem de participantes.

Último acesso: 26 Nov 2020 - 18:35:48 (882).