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Obesidade infantil! Estimular a educação alimentar na criança previne complicações nessa faixa etária e na vida adulta

Na época da campanha contra a doença no Setembro Laranja, especialista explica como os pais precisam se atentar ao hábito alimentar de seus filhos já nos primeiros anos de vida

Viva Saúde Publicado quarta 15 setembro, 2021

Na época da campanha contra a doença no Setembro Laranja, especialista explica como os pais precisam se atentar ao hábito alimentar de seus filhos já nos primeiros anos de vida
Alimentação na infância - Freepik/jcomp

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que para 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. Os registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que uma em cada grupo de três crianças, com idade entre cinco e nove anos, está acima do peso no país. As notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), de 2019, revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso, 9,38% com obesidade e 5,22% com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso, 9,53% são obesos e 3,98% têm obesidade grave.

O cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa revela que a obesidade é uma epidemia para toda a humanidade e a sua prevenção deve começar o quanto antes, caso contrário o sistema de saúde não conseguirá arcar com as doenças do futuro.

Diversos estudos destacam a importância de uma boa manutenção do peso na primeira infância para reduzir a obesidade na vida adulta e suas consequências negativas. Além do excesso de peso, o problema metabólico traz várias doenças que podem colocar em risco a vida do indivíduo em qualquer fase da vida. Isso se explica também pela genética, já que a nossa composição corporal é determinada, de 60% a 80%, pela hereditariedade e mais de 300 genes estão envolvidos na regulação do peso. "Outros pontos que também influenciam são o aumento de peso da mãe e a diabetes gestacional, que levam a uma programação metabólica no bebê que faz com que ele tenha piores preferências alimentares, obesidade e síndrome metabólica na vida adulta", conta.

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Aleitamento é prevenção

A amamentação previne o alto ganho de peso na infância e o risco de obesidade na fase pré-escolar. "Uma meta-análise recente mostrou que as crianças amamentadas apresentam 22% menos risco de obesidade quando comparadas àquelas que receberam fórmulas especiais, principalmente após os três meses de vida", destaca.

Segundo o especialista, isso ocorre porque muitas fórmulas prontas são ricas em calorias e proteínas. "Nos primeiros dois anos de vida, o excesso de proteína está associado a uma maior produção endógena de insulina e IGF-1, hormônios ligados à diferenciação das células de gordura e do seu acúmulo. Esse mecanismo é conhecido como 'programming' e representa um fator crucial para o desenvolvimento da obesidade e suas consequências na vida adulta", explica.

O comportamento dos pais

A prevenção da obesidade também passa pelos atos da família. "Bebês amamentados têm melhor percepção de saciedade do que aqueles alimentados com fórmulas. Isso ocorre também porque muitos pais e cuidadores usam a mamadeira como forma de acalmar a criança, prejudicando o aprendizado correto da auto regulação da fome", fala.

O primeiro paladar das crianças é adocicado, já que o leite materno também é classificado como mais docinho. Justamente por isso é que o açúcar precisa ser evitado até os dois anos de idade, pois além de ser considerado um alimento estimulante, é um grande gatilho para a compulsão e, consequentemente, a obesidade.

Os pais devem estar atentos ao paladar do filho, que ainda está em formação. Por isso, para ter certeza de que a criança não gosta de um alimento, é preciso que ela o negue por 7 vezes. "A primeira recusa deve ser oferecida novamente, por mais 6 vezes e em até outro formato (cozido, cru, amassadinho, em purê, assado ou grelhado). No mais, quanto mais os pais buscarem voltar às origens e oferecer os alimentos na forma mais crua e in natura, é melhor", destaca.

Incluir os pequenos no preparo das refeições também os ajuda a desenvolverem um bom relacionamento com a comida. Estudos mostram que as famílias que fazem as refeições juntas regularmente têm menos chances de sofrer de sobrepeso e obesidade. "O bebê aprende a se alimentar com os pais e vai ter bons hábitos se os mesmos o tiverem. Famílias que priorizam frutas, verduras, legumes e grãos integrais aos alimentos industrializados têm muito mais saúde e qualidade de vida. Isso se reflete não apenas no presente, mas principalmente no futuro de todos", conclui.


Sobre Dr Rodrigo Barbosa

Médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba com internato médico pelo Hospital Sírio-Libanês - SP. Cirurgião geral pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e cirurgião do aparelho digestivo pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Especialista em coloproctologia pelo Hospital Sírio-Libanês-SP.

Último acesso: 22 Oct 2021 - 00:35:57 (3276).