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Acompanhamento especializado melhora rotina de diabéticos

Publicado em 07 de Jan de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

Milhões de brasileiros sofrem com a patologia cujos sintomas aparecem quando o nível de glicemia está além das taxas normais. A boa notícia é que, com acompanhamento especializado, a doença pode ser controlada



Texto: Priscila Pegatin / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

Testar os níveis de glicemia faz parte da rotina do diabético.
Índices normais variam entre 75 e 99 mg/dl

Foto: Shutterstock

Estima-se que mais de 13,4 milhões de pessoas convivem com o diabetes no país e, para os próximos 20 anos, esse número poderá atingir 19,6 milhões de indivíduos. A patologia é consequência da falta de produção de insulina - necessária para que o açúcar chegue à célula - pelo pâncreas ou da insuficiência dela e resulta no aumento da glicemia, o açúcar no sangue.

Dos pacientes diagnosticados, 90% têm diabetes do tipo 2 que ocorre devido a maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e estresse. Já o diabetes do tipo 1, conhecido também como diabetes insulinodependente, o infantojuvenil e imunomediado tem origem autoimune e o corpo produz pouca ou nenhuma insulina. A doença é diagnosticada na infância ou adolescência.

Considerando o grande número de pacientes com a enfermidade, Antonio Roberto Chacra, endocrinologista e diretor do Centro de Diabetes da Universida de Federal de SãoPaulo (Unifesp), aponta que a falta de sinais é o principal vilão da patologia. “Quando os sintomas se manifestam, a doença está com o nível de glicemia muito alto”, pontua.

Tipos de tratamento

Ao ser diagnosticado com a doença, o paciente deve, de imediato, seguir as recomendações médicas. Em pessoas com diabetes tipo 2, a medicação oral é a mais indicada. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, a prescrição é a injeção de insulina (mas os do tipo 2 poderão também ter que a utilizar). Estão disponíveis no mercado alguns tipos, cujo efeito dependerá da dosagem individual, como a insulina de ação ultrarrápida (age de 3 a 5 horas), rápida (3 a 6 horas), regular (12 a 18 horas), lenta (6 a 23 horas) e a de gludeca ultralonga (até 42 horas), que acabou de ser lançada no Brasil. A meta é manter o equilíbrio da substância circulante no organismo, evitando a hipoglicemia.

Chacra, presente ao evento que anunciou a disponibilidade do fármaco de ação ultralonga, explicou que essa nova modalidade reduz em 25% o risco de hipoglicemia noturna – diminuição no nível de glicose – em pacientes com diabetes tipo 1 e em 43% nos pacientes com o tipo 2 da patologia, comparando as opções disponíveis no mercado. Apesar de o tratamento não ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o diretor do Centro avalia que é um avanço para quem convive com a patologia. Leia a seguir a entrevista exclusiva de Chacra à VivaSaúde sobre esse diagnóstico.

Como em geral os pacientes descobrem que têm a doença?
O diabetes pode ser assintomático – sem sintomas – e o paciente o descobre através de exames de rotina, nos quais é solicitada a dosagem da glicose sanguínea. O exame é simples. Geralmente o teste é solicitado a pessoas com sobrepeso ou que vão passar por uma cirurgia e mulheres grávidas, mas o próprio paciente pode pedir ao seu médico. Em campanhas de detecção de diabetes fazemos quatro perguntas que nos ajudam a identificar um paciente que possa ter diabetes: Você tem excesso de peso? É sedentário? Tem mais de 40 anos? Tem histórico de diabetes na família?

Em quais casos aparecem os sintomas e quais são eles?
Quando os sinais aparecem é porque o nível de glicemia está muito alto. Os sintomas podem ser excesso de urina, boca seca, muita vontade de tomar água, prurido vaginal nas mulheres ou irritação no pênis no caso dos homens, visão embaçada, perda ou ganho de peso espontâneo.

Quando a pessoa busca ajuda, qual é o nível de glicemia apresentado?
Há pacientes que apresentam nível de glicemia entre 120 e 140, assim como outros entre 200 e 300. O normal da glicemia é entre 75 e 99. Em pacientes com diabetes é aceitável até entre 110 e 120 e para acompanhar os níveis fazemos também o exame de hemoglobina glicada A1c realizado a cada três meses - o teste mede a quantidade de glicemia ligada à proteína. O resultado é em porcentagem, sendo de 4% a 6% normal, 6% a 7% moderadamente controlado e maior que 7% mal controlado -, em pacientes com diabetes o ideal é abaixo de 7%.

A insulina será sempre a primeira opção de tratamento?
Para os pacientes com diabetes tipo 1 é a primeira opção, já quem tem diabetes 2 começa com o tratamento via oral. O medicamento deve ser tomado todos os dias, entre uma e três vezes, dependendo do caso.

Em geral, é fácil a adesão à terapia indicada pelo médico?
Os pacientes que tomam insulina, que são os do tipo 1, têm uma adesão muito boa porque sabem que se não a ingerirem, o diabetes poderá subir e levá-los ao coma. No caso dos pacientes com diabetes tipo 2, nos quais a ingestão do remédio é via oral, a adesão tende a ser menor devido à negligência do paciente que acaba esquecendo o medicamento. Isso acontece principalmente entre os idosos.

Mas eles agem assim mesmo sabendo das complicações?
O paciente tem que fazer o tratamento da forma correta, isso é importante reforçar, porque as consequências são o desenvolvimento de distúrbio visual, doenças do coração, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, o que o levará à necessária diálise ou até o transplante renal, bem como a impotência sexual no caso dos homens, além dos sintomas já conhecidos da patologia. O paciente com diabetes que não faz o tratamento, se ferir o pé, por exemplo, poderá vir a ter uma gangrena e, em alguns casos, será necessário amputar o dedo ou o pé. Mas se controlar o diabetes, conforme orientação médica, essas complicações não ocorrerão.

Por que existe um rodízio do local de aplicação da insulina?
A insulina pode ser aplicada nas coxas, abdome ou braços. É uma agulha pequena e os pontos de aplicação devem ser revezados para evitar a formação de caroços, onde, nesse caso, a insulina não será bem absorvida.

O que seria ideal em relação às expectativas futuras?
Meu conselho é que o paciente siga as recomendações médicas, faça exercícios e mantenha o peso para não ter complicações. A expectativa é que as pesquisas cheguem à cura do diabetes do tipo 1 e tenhamos novos fármacos para o diabetes tipo 2.

Revista VivaSaúde - Edição 139



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