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Biotecnologia é opção para quem tem artrite reumatoide

Publicado em 12 de Apr de 2018 por Redação | Comente!

A doença crônica, se não for tratada adequadamente, debilita o paciente, impedindo-o de manter sua rotina normal. Com o avanço da tecnologia, mais pessoas têm a chance de melhorar a qualidade de vida



Artrite reumatoide

Dor, inchaço, calor e vermelhidão. Esses são os principais sintomas de artrite reumatoide (AR), doença inflamatória crônica e autoimune. Apesar de ser uma condição sem cura, o diagnóstico precoce faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente. Quanto mais cedo a AR for descoberta, melhor será a resposta do tratamento, que consiste em retardar o avanço da doença e até mesmo conseguir a remissão dos sintomas. Hoje, são 24 medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 16 deles de origem sintética e 8, biológica.

Fármacos sintéticos são aqueles que estamos mais acostumados. São moléculas simples, de fácil controle e que são reproduzidas em laboratório, como o conhecidíssimo paracetamol. No caso dos biológicos, são feitos a partir de moléculas complexas e produzida por organismos vivos, sendo muito utilizado no tratamento de alguns tipos de cânceres e doenças autoimunes como a AR. Para ter uma ideia, a insulina foi um dos primeiros tratamentos criados com a biotecnologia, voltada para atender pacientes diabéticos.

Cada pessoa, um tratamento

Assim como acontece em qualquer doença, o tratamento para o paciente com AR é muito individual. Cada organismo responde de uma forma à medicação administrada. Há pessoas que conseguem ótimos resultados no tratamento com fármacos sintéticos, mas há quem sofra demais com efeitos colaterais ou não seja beneficiado com a melhora dos sintomas.

Por ser uma opção recente e trabalhosa, os remédios biológicos são caros, o que dificulta o acesso ao tratamento. Para tentar driblar esse obstáculo, a indústria farmacêutica trabalha no desenvolvimento dos biossimilares, que, em resumo, se parecem muito com o original, mas não são idênticos. “Essa complexidade dos medicamentos biológicos exige o uso de organismos vivos e é por isso que não se pode fazer um genérico deles. Não é possível copiar organismos vivos”, justifica Gilberto Castañeda, PhD, farmacologista clínico do Centro de Investigación y de Estudios Avanzados del Instituto Politécnico Nacional (CINVESTAV/MÉXICO).

Na hora de optar por um medicamento biológico original ou o biossimilar, é muito importante o diálogo entre médico e paciente, mas saiba que é necessário seguir o tratamento. Ou seja, se optar pelo original, é indicado que continue o tratamento apenas com ele. Se ele não estiver fazendo o efeito esperado, converse com seu  médico sobre a troca para o biossimilar e vice-versa. Intercalar original com biossimilares prejudica a terapia e interfere nos resultados, criando até a possibilidade de reativar a doença.

À espera de um dignóstico

A inflamação das articulações também causam outros sintomas como rigidez matinal e fadiga. Sem o tratamento adequado, a progressão da doença pode também fazer com que aja destruição da cartilagem articular e deformidades. A consequência é que o paciente fica incapacitado de realizar atividades profissionais. De acordo com dados do estudo Patient Reported Outcomes Survey of Employment in Patients with Rheumatoid Arthritis, realizado pela AbbVie no Brasil, na Argentina, na Colômbia e no México, mostrou que, para os brasileiros com AR, é um pouco mais difícil encontrar um emprego. A taxa de empregabilidade entre eles é de apenas 4 entre 10 pessoas.

Infelizmente, no Brasil, um dos maiores desafios é que a maioria das ocorrências de AR é detectada tardiamente. De acordo com resultados preliminares do estudo AR no Brasil: Um estudo de Vida Real, realizado pela Comissão de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a espera para descobrir que se tem a doença é de 1 ano, para, depois,  começar o tratamento, mas também há casos em que a pessoa pode esperar até mais de 30 anos para ter um diagnóstico.

Fique atento

Apesar de atingir mais mulheres do que homens e ter incidência maior entre 30 e 40 anos, a AR pode aparecer em qualquer idade. Ficar atento aos sintomas é fundamental para diminuir a progressão da doença, prevenir a incapacidade funcional e lesão articular, fatores que podem fazer o paciente deixar de fazer coisas do cotidiano e que lhe proporcionem prazer.

O Colégio Americano de Reumatologia sugere prestar atenção nas seguintes características. Se pelo menos 4 delas persistirem durante 6 semanas, o melhor é procurar um médico especialista:

  • Rigidez articular matinal durando pelo menos 1 hora
  • Atrite em pelo menos três áreas articulares
  • Artrite simétrica
  • Artrite de articulações das mãos: punhos, articulação dos dedos e entre os dedos e a mão
  • Presença de nódulos reumatoides
  • Presença de Fator Reumatoide no sangue
  • Alterações radiográficas: erosões articulares ou descalcificações localizadas em radiografias de mãos e punhos

Além de médicos e profissionais da saúde, o indivíduo também pode encontrar informações de qualidade em associações de pacientes e familiares. A Biored Brasil, por exemplo, é composta por uma rede desses grupos que lutam pela qualidade e regulamentação dos biológicos para os pacientes brasileiros.

 

Por Larissa Maruyama, de Buenos Aires* | Fontes Sociedade Brasileira de Reumatologia; AbbVie; Alejandra Babini, reumatologista ex-presidente da Sociedade Argentina de Reumatologia (SAR).


* A jornalista viajou a convite da AbbVie Brasil para o Congresso Pan-americano de Reumatologia (PANLAR), em Buenos Aires.

 

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