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Cirurgia bariátrica em adolescentes

Publicado em 31 de Jul de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

Com o aumento dos índices de obesidade entre os jovens brasileiros, o procedimento tornou-se uma opção para evitar o agravamento do diabetes, de doenças cardiovasculares e demais enfermidades associadas ao ganho de peso



Texto: Leonardo Valle / Foto: Danilo Tanaka / Adaptação: Ana Paula Ferreira

As técnicas utilizadas na cirurgia bariátrica nos adolescentes são as mesmas dos adultos. 

Foto: Danilo Tanaka

Recentemente, o Ministério da Saúde reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para a realização da cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida é uma resposta aos dados nada animadores da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008, que revelaram uma explosão nas taxas de obesidade entre crianças e adolescentes no Brasil. Segundo o levantamento, o índice de rapazes de 10 a 18 anos com excesso de peso saltou de 3,7%, em 1974, para 21,7% em 2008. Entre as meninas, o crescimento foi de 7,6% para 19,4%. “As cirurgias bariátricas em adolescentes são casos de exceção. Entre 16 e 18 anos, ela é indicada desde que tomadas precauções especiais e o risco-benefício seja bem analisado. Abaixo de 16 anos, trata-se de casos ainda mais raros, em que a obesidade é severa ou há risco aumentado de complicações em decorrência das doenças associadas à obesidade”, esclarece Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Batalha difícil

Assim como ocorre com os adultos, a primeira medida para combater o excesso de peso nos teenagers é o tratamento clínico, que inclui dieta, exercícios e o acompanhamento de um psicólogo. “A obesidade está relacionada a fatores genéticos, mas há uma in?uência signi?cativa do sedentarismo e de alimentação inadequada. Por esse motivo, o primeiro passo é adotar hábitos mais saudáveis”, lembra o cirurgião. Entretanto, como há agentes em jogo que independem do modo de vida do obeso – tais como hereditariedade, fatores ambientais e biológicos – não raro as dietas falham.

O médico adverte que “Os mecanismos de acúmulo de gordura não são fáceis de serem combatidos. Desenvolvemos as células do tecido adiposo ainda na infância. Depois disso, elas só incham e desincham conforme se engorda ou emagrece, mas estarão sempre lá. Sendo assim, uma dieta rica em gorduras na infância fatalmente levará o indivíduo a desenvolver um número grande de células adiposas e estar fadado a lutar contra a balança para sempre”.

Risco de morte

A cirurgia bariátrica se torna uma opção aos adolescentes quando as doenças relacionadas ao excesso de peso começam a ameaçar a saúde, entre elas diabetes, insu?ciência renal, asma, problemas cardíacos e limitações para andar. Outra enfermidade que tem ganhado espaço na moçada é a Síndrome Metabólica, na qual há a associação de fatores de risco para diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Os indícios que de?nem a síndrome são pressão arterial, nível de glicose e triglicérides acima do ideal e colesterol bom (HDL) abaixo do esperado. Outro indicativo é possuir circunferência abdominal maior que 102 cm em homens e que 88 cm nas mulheres.

Quem pode?

Com os exames em mãos, são recomendados para a cirurgia bariátrica pacientes com IMC acima de 35 que apresentem pelo menos uma doença associada (obesidade moderada) ou aqueles com IMC acima de 40, independentemente da presença de outras doenças (obesidade severa). Esses critérios são os mesmos dos adultos e enfrentam críticas das entidades médicas por seu caráter limitante.  A Federação Internacional de Diabetes, por exemplo, defende desde 2011 a intervenção para todos os pacientes com IMC entre 30 e 35, desde que não respondam ao tratamento medicamentoso para o diabetes do tipo 2.

Tipos de intervenção

As técnicas utilizadas nos adolescentes são as mesmas dos adultos. No Brasil, 75% das cirurgias bariátricas realizadas é do tipo Bypass gástrico (gastroplastia com desvio intestinal em “Y de Roux”). “Trata-se de um procedimento misto, onde é feito o grampeamento de parte do estômago – reduzindo o espaço para o alimento – e um desvio do intestino inicial, o que aumenta a produção de hormônios que dão saciedade”, descreve Cohen. Outras técnicas autorizadas no Brasil são a gastrectomia vertical, assim como as derivações biliopancreáticas e a banda gástrica. Já o balão intragástrico não é considerado procedimento cirúrgico. “Todas as técnicas podem ser feitas por videolaparoscopia, que é menos invasiva e mais confortável”, completa. Nesse método, são feitas míni-incisões no abdome e utiliza-se também uma microcâmera.

Revista VivaSaúde edição 116

 



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