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Como tratar a herpes labial

Publicado em 19 de Jun de 2013 por Leticia Maciel | Comente!

Mais comum do que se imagina, 90% da população mundial possui o vírus do herpes, mas somente 10% dela não consegue criar imunidade para adormecê-lo. Sem cura, a doença pode ser tratada e controlada. Veja como tratar a herpes labial



Texto: Fernanda de Almeida/ Foto: Shutterstock/ Adaptação: Letícia Maciel

Uma vez com o vírus, cada pessoa deve ficar atenta para perceber quais os fatores que
desencadeiam o seu processo
Foto: Shutterstock

Se você nunca teve herpes, provavelmente já viu alguém com os sintomas do vírus. Trata-se de uma doença infecciosa muito contagiosa, geralmente benigna, causada por dois vírus da família dos Herpesviridae. O tipo 1 é conhecido comumente como herpes labial e o tipo 2, como genital, ambos são chamados de herpes simples. Existem pelo menos mais seis tipos de vírus que também são chamados de herpes, mas que apresentam diferentes sintomas e tratamentos. Uma dessas doenças é causada pelo vírus Varicela-herpes-zoster, que a gente conhece melhor com o nome de catapora. Além do nome em comum, o herpes labial e genital tem outra questão similar à catapora: uma vez que o vírus se instala e se manifesta, nosso corpo combate seus sintomas, mas ele fica alojado em nosso organismo, de forma inativa. Ou seja, passamos a vida com o vírus, mas só desenvolvemos seus sintomas uma única vez. É assim com a maioria das pessoas que tem herpes labial e genital. Segundo o dermatologista Omar Lupi, professor do curso de Imunologia e Alergia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Serviço de Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, “cerca de 90% da população mundial possui o vírus do herpes. Desses, somente 10% não têm uma imunidade eficiente para a doença, e por isso ela volta a se manifestar de tempos em tempos”. O espaçamento entre uma manifestação e outra varia, mas, em média, ocorre de quatro a seis vezes por ano. Embora o herpes se manifeste geralmente nos lábios ou na região genital, em alguns casos pode ocorrer no nariz, olhos, bochecha, nádegas e coxa. Há casos mais sérios em que a doença pode desencadear sequelas irreversíveis. Por isso, o ideal é procurar um médico ao observar os primeiros sintomas.

Principais sintomas

“Normalmente a pessoa que tem o herpes labial sente um discreto ardor, prurido (coceira) poucas horas antes de surgirem as lesões características do herpes, que são as vesículas (pequenas bolhas) agrupadas, com inchaço e vermelhidão por baixo. Essas bolhas podem infectar e apresentar pus, que depois se rompem e formam pequenas feridas”, descreve a dermatologista Alexandra Bononi, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Americana de Dermatologia. Além desses sintomas mais comuns, em alguns casos também há queixas de mal-estar, febre e desconforto. Depois dos primeiros sinais de coceiras, ardências ou fisgadas, costumam passar de 6 a 12 horas antes que as bolhas surjam, se rompam e causem as lesões. Por isso, é possível evitar os machucados ao sentir os primeiros sinais. “Varia de pessoa para pessoa, mas algumas conseguem perceber os sinais de que o herpes está se manifestando, e é aí que o medicamento tópico ou oral deve ser utilizado para anular as lesões”, conta Lupi. De maneira geral, é importante cuidar do sistema imunológico e procurar se hidratar e se alimentar bem.

Como tratar

A única maneira de evitar o contágio é não entrar em contato com lesões evidentes. E, como a maioria das doenças virais, o herpes não tem cura. A  dermatologista Alexandra alerta que as vacinas existentes ainda não são completamente eficientes. As medicações orais mais utilizadas para evitar as lesões são aciclovir, famciclovir e valaciclovir. Esses remédios evitam a multiplicação do vírus e diminuem o tempo de duração das crises. Quando há lesões, é preciso ter cuidado para não espalhar o vírus de uma parte do corpo para outra. “O ideal é evitar tocar os olhos ou a boca depois de encostar nas bolhas. Lavar as mãos com frequência também ajuda”, orienta Camargo. No caso do herpes genital, para evitar o contágio é fundamental o uso de preservativos. O dermatologista Lupi acredita que é possível ter um controle sobre as manifestações da doença e cuidar para que não surjam lesões. O infectologista Camargo diz que a maioria das pessoas não tem esse discernimento e, por isso, não conseguem evitar os sintomas incômodos. “Nos casos em que a manifestação do herpes se torna mais frequente, é possível fazer um tratamento de prevenção com remédio antiviral por tempo prolongado”, diz Camargo. Para atenuar os sintomas do herpes, além dos medicamentos, Lupi sugere algumas modificações na dieta alimentar. “O vírus do herpes tem uma estrutura simples, é uma proteína que protege o material nucleico do vírus. Essa cápsula,no caso do herpes especificamente, é composta majoritariamente de um tipo de aminoácido que também é encontrado em certos alimentos — quanto mais forem ingeridos, mais vão fortalecer o vírus”, explica. O ideal é diminuir o consumo de chocolate, principalmente os mais amargos, além de frutas como abacaxi, kiwi e sementes oleosas — amendoim, castanha, pistache e avelã.

 

Revista VivaSaúde Edição 107



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