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Conheça os benefícios do colágeno

Publicado em 16 de Jan de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

Rugas? Essas devem ser as menores preocupações quando o assunto é o colágeno. Conheça os benefícios dessa proteína e saiba como promover a sua manutenção



Texto: Romulo Osthues / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

Com o passar dos anos, a sua produção é prejudicada. Sobrepeso e hábitos de vida

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Foto: Shutterstock

É possível que você esteja familiarizado com as notícias que relacionam beleza com colágeno. Mas essa substância é relevante para seu organismo como um todo, compondo músculos, ossos, cartilagens, vasos sanguíneos e tantos outros tecidos. O colágeno é uma proteína estrutural básica encontrada na matriz extracelular (a massa ao redor das células que as une entre si) e nos tecidos conectivos (como a cartilagem das articulações), representando cerca de 30% do total de proteínas no corpo humano. A função principal do colágeno é dar força, rigidez e flexibilidade a ossos, dentes, ligamentos, membranas e pele – além de “segurar” a água que nos compõe. Os cuidados com sua reposição são providenciais e vão além do quesito estético.

Base da estrutura orgânica

“O colágeno talvez seja um dos pilares da construção de uma estrutura orgânica perfeita”, fala o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração (HCor-SP). Sua indicação é manter uma alimentação em que as proteínas e os aminoácidos sejam considerados para fornecer ao corpo as matérias-primas de fabricação ideais do colágeno.

Não há exames que meçam sua quantidade normal, nem sugestão de consumo. O que se sabe é que, com o passar dos anos, a sua qualidade é prejudicada, e a idade é um dos fatores relacionados, além do sobrepeso, o sedentarismo e hábitos de vida (tabagismo, exposição prolongada ao sol). As doenças ligadas ao colágeno são chamadas decolagenoses. Idosos são mais afetados por elas tanto quanto mulheres, especialmente após a menopausa.

Como ele é fabricado

O colágeno é feito de pequenas estruturas chamadas aminoácidos – imagine-os como “tijolos” – provenientes da quebra de proteínas durante a digestão. “Todas as proteínas em nosso corpo são constituídas por aminoácidos obtidos na dieta e eles utilizam enzimas para construí-las por meio de reações químicas complexas. Há um sistema de regulagem que indica às enzimas se precisam ou não trabalhar para atingir a quantia ideal de seu produto final”, explica a dermatologista Suzy Rabello, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O organismo só fabrica o necessário dessas peças para constituir os “muros” de proteínas que estão espalhados pelo nosso corpo, incluindo o colágeno.

“A ingestão de colágeno (natural ou suplementada) não garante que o corpo produza mais dessa proteína estrutural”, alerta a nutricionista Juliana de Oliveira, doutoranda da Universidade Federal de São Paulo (SP). Isso porque, tratando-se de uma proteína, o colágeno é “quebrado” quando digerido e os aminoácidos resultantes são utilizados pelo organismo para sintetizar novas proteínas de que precisamos naquele momento – dos mais variados tipos, uma vez que esses tijolos são comuns a muitas delas. Para a especialista, a melhor maneira de suplementação é com colágeno hidrolisado.

Suplementação nutracêutica

Uma das possibilidades de nutracêuticos (suplementos alimentares com fins terapêuticos) disponíveis no mercado é o colágeno hidrolisado. “Vários estudos demonstraram que ele atravessa a barreira da mucosa do intestino delgado como um peptídeo (molécula biológica) completo que não está sujeito à quebra por enzimas digestivas, sendo difundido na corrente sanguínea, atingindo concentração máxima em seis horas”, explica a nutricionista Juliana. Esse peptídeo, apelidado de “bioativo”, acumula-se na cartilagem dos tecidos, estimulando a produção de colágeno na matriz extracelular dela.

Acredita-se que eles “enviem um recado específico” para os condrócitos (células presentes nas cartilagens) despertarem e trabalharem novamente. Um dos pesquisadores envolvidos nos estudos com peptídeos bioativos de colágeno é Steen Oesser, biólogo e químico, diretor do Collagen Research Institute em colaboração com a Universidade de Kiel (Alemanha). Os bons resultados em relação à osteoartrite têm levado sua equipe a difundir e estimular o consumo do suplemento alimentar com tais peptídeos.

Potencial reconstrutor

Segundo ele, o colágeno hidrolisado tem o potencial de reconstruir parte da cartilagem que pode ter se perdido durante o processo da doença. Os estudos feitos (e ainda em progresso) demonstram significativa redução da dor, menos consumo de analgésicos e melhora na mobilidade dos pacientes com osteoartrite. “Pouco a pouco, estamos chegando a ter uma real ideia de como eles funcionam. Ainda precisamos entender o que é exatamente a bioatividade, o que distingue os peptídeos bioativos dos demais peptídeos em termos de melhorar os problemas”, disse o especialista Oesser à VivaSaúde.

Ainda que mais testes clínicos sejam necessários para entender essa especificidade, a taxa de resposta positiva ao tratamento (80%) faz Oesser crer que já tenha o suficiente em mãos para tratar os pacientes. No que diz respeito à pele, Juliana ressalta que a suplementação isolada de colágeno hidrolisado não demonstra muitos efeitos, mas destaca que sua ação com outros nutrientes apresenta resultados benéficos.

Ação conjunta

E a nutricionista Juliana conclui: “As melhores combinações encontradas são as da suplementação conjunta de antioxidantes (como os carotenoides) e de colágeno hidrolisado, ou de aminoácidos (como glicina, prolina e lisina) e de vitamina C e silício”.

Revista VivaSaúde - Edição 138



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