assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Cuidados com a cirurgia plástica

Publicado em 23 de Feb de 2014 por Leticia Maciel | Comente!

No país onde são feitas 72 cirurgias plásticas por hora, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do Conselho Federal de Medicina se unem para criar um Protocolo de Segurança



Texto: André Bernardo/ Foto: Shutterstock/ Adaptação: Letícia Maciel 

Toda e qualquer cirurgia plástica tende a provocar um inchaço. Por isso, se o paciente
não for orientado pelo seu médico, poderá ficar frustrado
Foto: Shutterstock 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), são realizados, em média, 629 mil procedimentos do gênero no País. São quase 72 cirurgias plásticas por hora. Deste total, 73% são estéticas e 27%, reparadoras. Entre as estéticas, as cirurgias para aumento de mama, ou mastoplastias de aumento, estão entre as preferidas das brasileiras (96 mil), seguidas pelas lipoaspirações (91 mil). Com esses números, o Brasil já ocupa o 2° lugar no ranking dos países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo. Atrás, somente, dos EUA. Mas os números levantados pelo Instituto Datafolha não são apenas motivo de orgulho para a SBCP. São, também, causa de preocupação. De acordo com pesquisa do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), 97% dos médicos que respondem a processos ético-profissionais no órgão, relacionados a cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, não têm o título de especialista na área. “Nos últimos tempos, a especialidade vem sendo grosseiramente invadida por profissionais inaptos, sem a devida especialização em cirurgia plástica”, alerta o presidente da SBCP, Sebastião Nelson Edy Guerra. Para minimizar os riscos, a SBCP e o Conselho Federal de Medicina (CFM) estão trabalhando em um Protocolo de Segurança, que deverá ficar pronto até setembro. Segundo Antônio Gonçalves Pinheiro, coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM, a ideia é listar as principais recomendações para a realização do procedimento no País, desde a fase ambulatorial até o pós-operatório.

Na fase ambulatorial 

“O especialista em cirurgia plástica deve ter graduação em medicina, dois anos de cirurgia geral e três de cirurgia plástica. Após esta formação, ainda passa por uma prova para a obter o título”, detalha Guerra. Em seguida, o médico deverá prescrever uma série de exames para avaliar o estado clínico do paciente. Alguns são obrigatórios, como os laboratoriais e cardiológicos. Outros dependem do tipo de cirurgia. Autor do livro Cirurgia Plástica: Manual do Paciente, Alan Landecker cita o caso das cirurgias de mama. “Nesses casos, é preciso solicitar um ultrassom de mama para pacientes com menos de 35 anos ou uma mamografia, acima dos 35”, exemplifica. Dos exames obrigatórios, não poderão faltar o hemograma, que atesta se o paciente tem anemia, e o coagulograma, que verifica se a coagulação está normal. Ao decidir pelo tipo de cirurgia, médico e paciente deverão estar atentos aos múltiplos procedimentos. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), Carlos Eduardo Nunes, o ideal é que seja realizado um procedimento por vez.

Na sala de cirurgia

Mas, o que costuma dar errado em uma cirurgia plástica? As opiniões se dividem. Para Landecker, tão importante quanto escolher um bom cirurgião plástico é saber onde será realizada a cirurgia. “O paciente tem o direito de verificar se o hospital tem Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oferece a infraestrutura regulamentada pela Vigilância Sanitária para a execução de uma cirurgia plástica”, orienta. Para Ivo Pitanguy, uma das maiores referências mundiais no assunto, “está na escolha do cirurgião qualificado o passo fundamental para a realização de uma cirurgia segura. Cabe ao cirurgião a interação com o paciente, discutir a escolha do procedimento e, em todos os casos, fazer que o paciente esteja a par das possibilidades”, observa Pitanguy.

O pós-operatório

Os cirurgiões são unânimes ao afirmar que o tempo de recuperação depende, e muito, da área operada. Em linhas gerais, recomendam uma semana de repouso absoluto. Neste período, o paciente não deve carregar peso ou pegar sol. “A recuperação é uma das questões que mais contribuem para o sucesso do resultado cirúrgico”, garante Guerra. Na maioria das vezes, o paciente precisa esperar cerca de um mês para voltar à atividade física normal. No caso da rinoplastia, ou cirurgia plástica de nariz, o paciente precisa esperar até 2 meses para realizar qualquer esforço físico que ofereça risco de machucar a região operada. O mesmo tempo de recuperação para as cirurgias de redução ou aumento das mamas. Para Landecker, não é raro os pacientes se frustrarem com o resultado da cirurgia logo nos primeiros dias. E o motivo é fácil de ser explicado. “Toda e qualquer cirurgia plástica tende a provocar um inchaço, que deforma a região operada. Por isso, se o paciente não for corretamente orientado pelo médico, poderá ficar frustrado”, afirma. Mas o inchaço, tranquiliza Landecker, tende a sumir a partir do terceiro dia. E a desaparecer por completo, duas semanas depois.

Revista VivaSaúde Edição 87