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Depressão afeta desejo sexual feminino

Publicado em 19 de Nov de 2014 por Marília Alencar | Comente!

Por afetar a produção e liberação de hormônios sexuais, a doença interfere diretamente sobre a disposição e a libido da mulher



Texto Carmita Abdo/ Foto: Shutterstock/ Adaptação: Marília Alencar

Depressão
(Foto: Shutterstock)

Já não há dúvida sobre a estreita associação que ocorre entre depressão e baixa de desejo sexual, especialmente com o sexo feminino. Estima-se que no Brasil 17 milhões de pessoas tenham depressão, a qual é bem mais comum entre as mulheres. Estatísticas mundiais apontam que elas sofrem duas vezes mais com esse problema do que os homens, devido, entre outras razões, às flutuações hormonais mais pronunciadas a que estão submetidas. A depressão afeta a produção e liberação de hormônios sexuais, o que interfere diretamente sobre a disposição e a libido feminina. Metade das mulheres que procuram o Projeto de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (ProSex) sofre de baixo desejo sexual. Entre elas, 40% estão ou já estiveram em tratamento de quadros depressivos. Nos homens, 19,1% apresentam depressão, mas apenas 21,6% desses têm libido diminuída. 

Quando não tratada, pode comprometer vários outros aspectos da vida, entre eles o profissional, o emocional, relacionamentos sociais e até a vida a dois. Por isso, é fundamental o diagnóstico e a adesão total ao tratamento adequado. É muito comum as pessoas relacionarem depressão com sensação de tristeza ou angústia. Raramente se pensa que ela possa ser a causa da pouca vontade de fazer sexo ou do isolamento afetivo e social. Curiosamente e de acordo com o maior e mais consagrado estudo epidemiológico realizado nos EUA, a depressão é mais prevalente em mulheres casadas e em homens separados ou divorciados.

Outros pesquisadores reforçam esse dado instigante. Estudo desenvolvido no Brasil, no México e na Venezuela, com pessoas que tiveram ou têm diagnóstico de depressão, confirma que o brasileiro é o povo que mais busca informação pela mídia. No Brasil, entre os entrevistados, 37% se informa sobre depressão pela televisão, 29% pela Internet e 26% em conversa com o médico, seguidos de 25% por meio de revista e 15% por jornal. No México e na Venezuela, 40% a 41% da população se informa com os médicos.

*Carmita Abdo é psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fundadora e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.



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