assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Entenda tudo sobre a perda auditiva

Publicado em 07 de Jan de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

Você já sabe que a trilha sonora que você ouve todo o dia afeta a sua audição. Mas não precisa ser assim, pois a prevenção da perda auditiva induzida por barulho externo é possível



Texto: Cristina Almeida e Letícia Ronche / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

A perda pode ser amenizada com aparelhos. Um terço das permanentes poderiam

ser prevenidas por meio de medidas simples

Foto: Shutterstock

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 360 milhões de pessoas no mundo sofrem de alguma perda auditiva - isso equivale a 5% da população - e metade desses casos seria evitada por meio de práticas preventivas simples. Mas como fazer isso? Não podemos pedir às cidades que façam menos barulho, ou mesmo ao ouvido que não envelheça. Porém, alguns de seus hábitos podem estar agravando a situação. Talvez o problema nem esteja nesse ponto, e sim no fato de os barulhos serem subestimados, já que os danos acontecem de forma gradativa. Além disso, os altos ruídos já são comuns em nossa cultura. E só se dá conta do problema, quando ele está em um estágio avançado.

Conheça o nível de ruído que a cidade apresenta

Infográfico: Escala 

Porém, a perda auditiva não ocorre apenas pelo excesso de sons misturados. “Além desse fator, a alimentação inadequada, doenças como o diabetes e a hipertensão, sem os devidos controles, e o estresse contínuo não tratado também são os culpados”, conta Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista, presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (Apidiz). Ela cita como causadores da perda definitiva a idade, doenças genéticas ou infecções como meningite, rubéola, herpes, toxoplasmose e aids. Mas essa perda também pode ser temporária.

Agora ou sempre

Ela é assim chamada porque seus efeitos podem não ser permanentes. “A perda auditiva temporária ocorre quando sofremos uma exposição a som suficientemente alto para causar lesão leve a células ciliadas, mas não é uma situação que se repete. Contudo, quando a exposição é constante, não há tempo para o ouvido se recuperar e a lesão se torna permanente, causando então a perda auditiva irreversível”, conta a otorrinolaringologista Mayra de Freitas Centelhas Martinelli, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). A médica afirma que isso acontece porque, diferentemente de alguns outros órgãos como a pele e os ossos, que são renovados, as células ciliadas não se regeneram. Se uma célula dessas morrer, não há como recuperá-la. Portanto, se células lesionadas não mandarem estímulo ao cérebro, teremos a diminuição da audição.

As situações que desencadeiam a perda auditiva temporária são as que acontecem isoladamente: idas a shows, bares e danceterias com música muito alta, ou mesmo quando existe a exposição a máquinas ruidosas, ou até rojões. “Geralmente, nesse caso, a audição é totalmente recuperada se o ouvido tiver a oportunidade de descansar, se a pessoa ficar em local quieto, sem muito estímulo auditivo”, avisa Mayra.

O problema está na rotina

Segundo as especialistas, as principais atitudes do cotidiano que podem afetar a audição são duas: os hábitos e as práticas profissionais. “A principal delas e mais lesiva é o uso de fones de ouvido com volume muito alto. Os fones que ficam dentro do ouvido concentram o som e aumentam a vibração que chega ao tímpano.” A exposição prolongada ou frequente a esse volume também causa lesões irreversíveis às células ciliadas.

Caso você esteja em situação de risco em tempo integral, dada a sua profissão, saiba que já existem aparelhos para diminuir o impacto dos sons. “Cada dia mais a tecnologia está favorecendo os equipamentos de proteção individual. No caso dos músicos, por exemplo, que não podem perder a qualidade do retorno sonoro, existe a possibilidade de acoplar filtros. É importante nunca ser negligente aos cuidados devidos com o nosso aparelho auditivo”, fala Eliezia. E se você não consegue ficar sem música, evite deixar o volume acima da metade da sua capacidade e, sobretudo, não o faça por longos períodos. Além disso, prefira os aparelhos que não entram no ouvido, em forma de concha.

Para usufruir dos sons

“Os sintomas não são súbitos, mas progressivos, como o zumbido, a perda de audição e as tonturas, mais a sensação de pressão nas orelhas, que escuta, mas não decodifica, também são indícios de que a saúde da orelha deva ser investigada pelo especialista”, diz Eliezia.

Toda dificuldade de escutar em volumes “normais” ou não compreensão deve ser avaliada. Após testes específicos, mais a “escuta” do histórico do paciente, será possível definir o que pode ser feito em cada caso. Aqueles que trabalham em ambientes onde o barulho prevalece e a exposição é prolongada devem ter atenção redobrada. Uma das causas mais comuns da perda auditiva é esse excesso de ruído, o que pode levar a uma doença do tipo laboral.

Revista VivaSaúde - Edição 139



COMENTE!