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Até quando é necessário proteger a criança

Publicado em 28 de Jan de 2014 por Leticia Maciel | Comente!

O apego é necessário para o bom desenvolvimento infantil,mas o exagero de proteção pode causar dependência e prejudicar seu desenvolvimento



Texto: Ivonete Lucirio/ Ilustrações: Sueli Mendes/ Adaptação: Letícia Maciel


É preciso medir a atenção e carinho para não causar dependência da criança com os pais
Ilustração: Sueli Mendes.

A criança, principalmente o bebê, precisa sim, ter a mãe por perto, atencão e carinho. O problema é quando a mãe adota alguns procedimentos nocivos, ou atitudes que passam além da hora.
"Não acredito que os pais, conscientemente, criem situações para aumentar a dependência dos filhos. E, quando isso acontece, pode ser por erro de interpretação, inocência ou mesmo automatização", explica a pediatra Anete Colluci, da Universidade Federal de São Paulo (USP). É difícil traçar o limite de carinho necessário e o que sufoca. Conversamos com especialistas que vão ajudá-lo a entender a atenção necessária para as crianças.

Conheça alguns sinais de que a superproteção pode estar prejudicando a vida do seu filho:

  • Quando o bebê chora ao menos sinal de que a mãe não está por perto.
  • Não demonstra interesse em explorar novos espaços.
  • Faz xixi na cama até muito tarde, depois dos 7 ou 8 anos.
  • Não abandona a chupeta.
  • Não divide os brinquedos.
  • Demora meses para se adaptar à escola e se isola do grupo.
  • Apresenta problemas para na hora de dormir sozinho.
  • Fica doente com muita frequência.

Quando parar a amamentação

Existe uma tendência recente de certas mães em amamentarem seus filhos além dos 2 anos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Algumas vão bem além, chegando a 6 ou 7 anos. É um assunto que gera controvérsia. É normal que a criança queira mamar até uam idade mais avançada.Mas isso sem dúvida, provoca certa dependência, "Acho que a criança deve mamar enquanto sentir vontade. Mas não cabe à mãe incentivar o desmame tardio", opina o pediatra Roberto Issler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e consultor da IBLCE,organismo internacional que certifica profissionais em alimento materno.

Cuidado com as crianças

E a chupeta?

Pediatras costumam condenar o uso de chupetas porque há pesquisas mostrando que ela pode atrapalhar o aleitamento materno. Mas alguns médicos admitem seu uso para funcionar como um objeto calmante para a criança pequena. Mas o seu uso não deve se tornar uma muleta para a criança à medida que ela cresce."É preciso impor um limite ao uso, como, por exemplo, deixar que ela fique com o objeto apenas na hora de dormir", opina a pediatra Lilian Zaboto, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). E o uso não deve prolongar além dos 2 anos, o ideal é que seja retirada até antes, quando a criança começa a falar.

Dormir na cama dos pais

Quando o bebê é pequeno é uma questão de conforto -facilita a amamentação e permite períodos mais longos de sono para a mãe. O problema é quando a situação se prolonga. "O hábito torna os filhos inseguros e dependentes, dificultando o relacionamento do casal e da própria criança", diz a médica Lilian. O ideal é que, desde pequeno, o bebê se habitue ao próprio quarto. Caso isso ainda não tenha acontecido, a mãe pode tentar uma transição suave. Nos primeiros dias, fica com a criança no quarto até que ela adormeça. Depois lê para ela, mas sai antes que pegue no sono. Até que finalmente, ela seja capaz de adormecer sozinha.

Brinquedos podem ajudar  a suportar a ruptura com a mãe
evitando a dependência infantil. Ilustração: Sueli Mendes

O apego pode virar doença

Em algumas situações, a superproteção pode se tornar um mal mais grave para a criança. A psicóloga Ana Paula Cuacolo Macchia explica quais são os principais problemas:

  • Atraso, depedência, insegurança,sofrimento diante de situações com amigos, escolas, professores.
  • Transtorno de ansiedade de separação da infância. A criança tende a fantasiar que algo muito ruim possa acontecer com os seus pais e tem a sensação subjetiva de desconforto, medo e até angústia por estar londe dos pais. Esses sintomas podem se manifestar na escola ou em casa, quando a criança nã consegue ficar sozinha em cômodo, por exemplo.
  • Transtorno de personalidade dependente. Aparece quando estão mais velhos. São pessoas sem autoconfiança, que experimentam extremo desconforto quando estão sozinhas. Acreditam que não funcionam adequadamente sem o auxílio das pessoas e são incapazes de tomar uma decisão sem aconselhamento.

Mamadeira engorda

Outro assunto que causa polêmica é o uso da mamadeira. Ela também é acusada de atrapalhar a amamentação. E pode até favorecer a obesidade, segundo um estudo realizado no Colégio Albert Einstein de Medicina (EUA). Segundo a pesquisa, muitos pais tendem a prolongar o seu uso porque isso acalma e conforta a criança. Uma mamadeira oferece cerca de 150 calorias, 12% do que a criança pequena precisa. Se for oferecida à criança além das suas necessidades diárias de energia,  certamente vai provocar ganho de peso. Os pediatras aconselham que, por volta de seis meses, a criança comece a usar um copo de transição – com um bico adaptado que facilite a ingestão do líquido sem que derrame.

Ajudando na separação:

Algumas atitudes podem ajudar a criança a, pouco a pouco, a conquistar sua própria idependência. Comece assim:

1-Com os bebês, incentive o uso de um objeto de transição, que pode ser um cobertozinho ou um bicho de pelúcia. Eles auxiliam a criança a suportar a ruptura com a mãe. "É como se fosse uma espécia de âncora, com a qual a criança se sente muito menos solta", explica a pediatra Anete.

2- Nem todo contato com o bebê precisa ser físico. Em vez de colocá-lo o tempo todo no colo, brinque no balancinho, experimente conversar, rolar no chão, dar banho de banheira.

3-Estimule o contato social saudável, permitindo e incentivando que a criança vá ao colo de outras pessoas.

4-Pondere a possibilidade de colocá-la em uma escolinha.

5-Não seja onipotente. "Outras pessoas também podem cuidar do bebê, principalmente o pai", lembra a pisicóloga Ana Paula. A ideia é que ela possa ser trocada pela avó e também por outros membros da familia. Todos participam!

6-Deixe o bebê ter seu espaço desde cedo, estimule-o a ficar no próprio quarto praticando atividades que ele aprecia.

7- Estimule também a exploração. Deixe seu filho circular por novos espaços, seja engatinhando ou quando começa a dar os primeiros passos. Certifique-se que ele esteja em segurança.



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