assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Como driblar a falta de zinco no organismo

Publicado em 19 de Mar de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

O mineral está intimamente ligado à regulação de hormônios e sua carência pode provocar alterações no paladar. Saiba como driblar o problema



Texto: Leonardo Valle / Foto: Shutterstock

A ingestão recomendada diária (IRD) é de 15 mg, mas pode variar

conforme a idade e o sexo de cada pessoa

Foto: Shutterstock

O desejo por doces está difícil de controlar? Pois saiba que a culpa pode ser da falta de zinco, mineral encontrado no germe de trigo, carne vermelha, fígado, noz-pecã, ricota, amendoim, mariscos, arroz, leite e ovo. “O zinco participa da regulação da insulina e da leptina (hormônio da saciedade). Em indivíduos com níveis inadequados do mineral, a concentração de leptina é reduzida e há um aumento da resistência à insulina. Quadros como esse podem levar a pessoa a sentir uma necessidade maior de ingerir não apenas doces, mas salgados, massas e outros carboidratos”, esclarece Karina Ruiz, mestre em Farmacologia do Processo Inflamatório pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outro motivo é que baixos níveis de zinco produzem uma sensação de alteração no paladar, o que pode levar a esse desejo.

Do diabetes à depressão

Os malefícios da deficiência de zinco não param por aí. O aumento da resistência à insulina está a um passo do desenvolvimento do diabetes do tipo 2. Isso porque, uma vez que as células do corpo respondem menos à presença do hormônio, a glicose é incapaz de entrar nas células e se acumula no sangue. 

Basta fazer um check-up

Há ainda uma relação íntima entre a carência de zinco e a depressão. “O zinco tem propriedades antioxidantes, e é fundamental em uma área cerebral chamada hipocampo, que regula a nossa função afetiva e cognitiva. Assim, a sua deficiência pode comprometer as funções neuropsiquiátrica e neuropsicológica”, destaca Heloisa Rocha, nutróloga (RJ). “Estudos mostram que as pessoas deprimidas têm menor concentração de zinco no sangue, e existem benefícios nessa melhora quando a reposição de zinco ocorre em conjunto com o uso de antidepressivos”, acrescenta.

O mineral ainda participa de inúmeras funções orgânicas, incluindo o desenvolvimento do paladar, olfato, cicatrização de feridas, liberação de hormônios sexuais, desempenho das células vermelhas e brancas, coagulação e fortalecimento das defesas naturais do corpo. “O zinco se relaciona com a divisão celular, síntese de proteínas e DNA e está em mais de 200 enzimas diferentes. É essencial para o funcionamento do metabolismo de proteínas, carboidratos, lipídeos, ácidos nucleicos, síntese e liberação de hormônios”, fala Virna Pimenta Leão, nutróloga de Manaus (AM).

Identifique os sintomas

 É fácil descobrir se o zinco está em falta em nosso corpo e os sintomas mais comuns são queda de cabelo, fadiga, atraso no desenvolvimento de crianças, diminuição de libido, má cicatrização, dificuldade de sentir o gosto salgado dos alimentos, problemas de pele (como psoríase e dermatites), diarreias e infecções respiratórias.

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação médica detalhada. “Testes de sangue nos fornecem uma noção dos níveis de zinco. Mas somente 0,1% a 2% do zinco estão no sangue e o organismo mascara essa deficiência, não permitindo que os níveis sanguíneos se alterem. Podemos também dosar o zinco na urina ou por meio do mineralograma capilar, porém – não temos 100% de eficácia”, pontua Alice Amaral, nutróloga vinculada à Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Vegetarianos ingerem mais fitatos, substâncias presentes nos vegetais que inibem a absorção do zinco. O mineral também depende da acidez do estômago para ser absorvido, motivo pelo qual pessoas com gastrite ou doença do refluxo, que tomam medicamentos para inibir a produção de ácido no estômago, também ficam vulneráveis à sua carência. “Mulheres que tomam anticoncepcional ou fazem reposição hormonal estão em maior risco de apresentar esta deficiência, bem como alcoólatras”, completa Virna. Tal carência pode ainda ser desencadeada por doenças crônicas, queimaduras, anemia, idade avançada, uso de diuréticos e penicilamina.

Suplementação guiada

Em linhas gerais, o nível exigido do mineral varia conforme o sexo e a idade. Homens necessitam de 11 mg/dia, e mulheres precisam de apenas 8 mg. Já as gestantes devem consumir 15 mg e lactantes, 19 mg. Caso a falta de zinco seja identificada e a alimentação equilibrada não dê conta de normalizar a situação, entram em cena os suplementos, que devem ser prescritos por especialistas. O motivo é que o excesso de zinco pode resultar em perda de memória, de concentração, anemia, distúrbios gástricos, dor de cabeça, diarreia e fadiga. Segundo ainda um estudo da Universidade de Maryland Medical Center (EUA), exagerar no zinco fez com que a imunidade de idosos caísse e o mau colesterol (LDL) aumentasse.

Um problema com o zinco é a sua interação com outros nutrientes. Sabe-se que o excesso de ferro ou cobre atrapalham sua absorção. O mesmo vale para o ácido fítico. “Ele está presente na caseína do leite e nos alimentos ricos em fibras”, lembra Alice. O excesso de zinco faz que uma proteína chamada metalotioneína se acumule no organismo e barre a absorção do cobre. A deficiência de cobre leva à anemia, problemas neurológicos e sistema imunológico enfraquecido. E sua absorção é turbinada na presença de vitamina C. Mais um bom motivo para caprichar na dose de frutas como acerola, goiaba, laranja e limão.

Revista VivaSaúde - Edição 141