assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Riscos da compulsão por comida

Publicado em 03 de Apr de 2013 por Leticia Maciel | Comente!

Comer alimentos como doces, pães e frituras sem controle pode causar depedências e compulsão incontrolável por alimentos. Saiba como identificar a compulsão por comida e como controlar o consumo de guloseimas.



Por: Ivonete Lucirio/ Fotos: Fabio Mangabeira/ Adaptação: Letícia Maciel

Alimentos como o chocolate podem gerar consumo compulsivo, quando não ingeridos em
grande quantidade os sintomas típicos de ansiedade e alterações do humor aparecem.
Foto: Fabio Mangabeira.

Chocolates, pãezinhos, biscoitos, quem consegue comer apenas uma unidade? É impossível resistir à essas tentações ricas em açúcar e gorduras. O problema é quando comemos e nunca estamos satisfeitos. Não estamos falando aqui de pessoas que comem o tempo todo, mas daquelas que criam uma predileção por determinados alimentos e passam a depender deles para funcionar direito, ou não conseguem controlar a quantidade ingerida. “Isso costuma acontecer com alimentos altamente palatáveis e de alta densidade energética, ricos em açúcar, gordura e farinhas refinadas”, diz a nutricionista Andréia Naves, diretora da VP Consultoria Nutricional (SP). E completa: “Eles geram um consumo compulsivo e incontrolável e, consequentemente, uma sensibilização do organismo à substância, com sintomas típicos quando é suprimido, como ansiedade, agressividade e alterações de humor”. Só que, diferentemente das drogas, os alimentos são necessários à vida. Comer é um comportamento que envolve vários processos hormonais. Por isso, fica tão difícil comprovar que a vontade excessiva de ingerir algo seja um vício. Mas a cada dia novas pesquisas comprovam que certos alimentos podem, sim, alterar o funcionamento cerebral, como faz a cocaína, por exemplo.

Vontade de comer

Não se pode negar que há um forte componente psicológico e comportamental na dependência por um determinado alimento. É o que acontece naqueles dias em que você chega em casa depois de um dia difícil de trabalho e tudo o que quer é cair de boca em uma torta de chocolate, doce e gordurosa. “Nesse caso, o hábito pode ser abandonado em qualquer fase da vida sem maiores problemas”, diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que sequer concorda com o uso do termo vício.

Imaginar uma comida é um forte estímulo psicológico para sentir vontade de comê-la. É aquela situação em que você não consegue ler um livro porque está com ideia fixa em um belo hambúrguer, ou em um sorvete de flocos. Cientistas da Finders University (Austrália) confirmaram esse comportamento. Sempre que a pessoa relatava uma vontade incontrolável de comer algo, a imagem estava vívida em sua cabeça. Ela podia vê-la em detalhes. Para esses casos, ainda segundo os cientistas, funciona tentar criar outra imagem mental, ou até pensar em um cheiro. Por exemplo, os voluntários foram estimulados a imaginar um arco-íris, ou lembrar o cheiro de folhas de eucalipto. Em ambos os casos, a necessidade imediata pela comida diminuiu. “Todo vício, seja ele por drogas ou por alimentos, é multifatorial. Não se pode desprezar o componente comportamental ligado ao fisiológico”, diz a nutricionista Andréia Naves. Um estudo publicado em novembro de 2010 pelo jornal da Academia Nacional de Ciências dos EUA demonstrou que atitudes prazerosas realmente ajudam a reduzir o estresse. Mais uma vez o o prazer que ele traz é altamente eficiente. Lutar contra um vício nunca é fácil, seja pela dependência química, seja pelo prazer que ele traz. Ainda mais se é uma droga legal, ao alcance de qualquer um na prateleira do supermercado. Mas o preço a ser pago por se deixar levar pela sedução dos sabores é alto e nem sempre merecedor do seu sacrifício.



COMENTE!