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Tudo sobre o pH do organismo e alimentos

Publicado em 03 de Aug de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Famosa entre as celebridades em Hollywood, esta corrente defende a ideia de que alimentos que estimulam a acidez prejudicam a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas, causando doenças. Tudo sobre o pH do organismo e alimentos



Texto Tatiana Pronin / Foto: Fausto Roim

Foto: Fausto Roim 

Você lembra o que significa pH, ou potencial hidrogeniônico? Ainda que tenha se esquecido das aulas de química, deve lembrar que esse índice determina se algo é ácido, neutro ou alcalino. Esse conceito é o ponto de partida da dieta alcalina, um programa alimentar que ficou famoso entre algumas celebridades de Hollywood. Tudo começou quando a cantora e atriz Victoria Beckham disse que adorava as receitas do livro Honestly Healthy - Eat with your body in mind, thealkaline way [“Alimentos Para o Bem--Estar - Restabeleça o equilíbrio e melhore a saúde com a dieta alcalina”, na versão em português], que a chef e também celebridade Natasha Corrett escreveu em parceria com a nutricionista Vicki Edgson.

Alimentos industrializados

Vale dizer que o modismo não surgiu donada. Vários cientistas têm se debruçado, nos últimos anos, sobre o efeito que uma alimentação mais ácida, comum no mundo industrializado, tem sobre o corpo e a saúde das pessoas. Você já deve ter ouvido falar que os refrigerantes de cola têm um pH de 2,5, o qu eé extremamente ácido, não é? O conceito de maior destaque da dieta alcalina é que a alimentação rica em açúcar, aditivos químicos, amido, farinha branca, laticínios e carne vermelha do mundo moderno tem colaborado para acidificar nosso sangue. Isso dificultaria a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas, gerando inflamação e predispondo o organismo a doenças, como excesso de peso, osteoporose, pedras nos rins, câncer, dores nas costas, diabetes do tipo 2, problemas cardiovasculares e de memória.

Eliminação eficiente

“O organismo funciona melhor em um pH levemente alcalino, entre 7,3 e 7,4. Nessa faixa, a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas é mais eficiente”, explica a nutricionista funcional Helouse Odebrecht (SC). “Essas toxinas aumentam a produção de células cancerígenas e têm relação com a osteoporose, pois, no meio ácido, o corpo não consegue absorver o cálcio para os ossos”, acrescenta a profissional, citando apenas algumas consequências da acidificação promovida pelo consumo excessivo de itens industrializados. Claro que não dá para eliminar os ácidos do cardápio completamente, até porque existem produtos naturais e nutritivos com esse efeito no organismo. A proporção sugerida, segundo Helouse, é 70% de alcalinos e 30% de ácidos. Estabelecer esse equilíbrio sem ajuda de um especialista não é nada fácil. Até porque não dá para fazer escolhas levando em conta o sabor dos alimentos.

Todo mundo acha que o limão é extremamente ácido, mas essa fruta, assim como a laranja e o abacaxi, estimulam a alcalinidade, segundo a profissional. Tanto que muitos defensores da dieta seguem a antiga receita do copo com suco de limão todo dia em jejum. “O importante, mesmo, é eliminar produtos industrializados, como congelados, comida pronta, farinha branca, açúcar, refrigerante e leite e derivados em excesso”, resume a nutricionista. E caprichar no consumo de frutas e vegetais. “Uma alimentação alcalina tem o mesmo princípio e objetivo da alimentação baseada na medicina chinesa tradicional, ou seja, seguir uma alimentação menos ácida para restaurar o equilíbrio do pH sanguíneo”, compara a nutricionista funcional Mariana Duro (SP).

E o seu pH, como é?

As especialistas contam que o excesso de ácido no organismo pode ser constatado por meio de um exame de urina. O resultado, somado aos dados clínicos do paciente, hábitos de vida e consumo alimentar relatado, dão uma ideia do cenário a ser reequilibrado com a dieta. “Uma acidez sanguínea pode se refletir na diminuição de absorção de diversas vitaminas e minerais, além de um desequilíbrio enzimático, hormonal e de imunidade. Dessa forma, pessoas que estejam com um pH mais ácido podem apresentar cansaço, maior potencial inflamatório, dificuldade de recuperação muscular pós-treino, queda de cabelo, maior aparecimento de infecções do trato respiratório (rinite e sinusite, por exemplo), alteração de peso e menor capacidade de concentração”, ilustra Mariana.


“O mecanismo ácido-base do organismo é altamente complexo”, comenta o nutrólogo José Alves Lara Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). “Se você toma um antiácido, que é alcalino, imediatamente seu organismo enxerga aquilo como inadequado e manda produzir mais ácido”, diz o médico. É por isso que quem sofre de gastrite não deve abusar desses produtos, e nem mesmo do leite. O nutrólogo Lara Neto acredita que a dieta alcalina não passa de modismo. O especialista diz não entender como seus defensores liberam o consumo de abacaxi, lentilha e cebola, por exemplo, que possuem ácido na composição nutricional.

O que priorizar e o que evitar

(Foto: Fausto Roim)

Veja alguns exemplos de alimentos que aumentam ou diminuem a alcalinidade. A recomendação é restringir os ácidos em 30%. Você não precisa abrir mão da pizza e do sorvete no domingo, mas priorize as frutas, as verduras e as carnes magras de segunda a sexta. Confira o gráfico de cores ao lado.

Muito alcalinos

Ameixa Missô (pasta de soja fermentada), Sal marinho, Semente de abóbora (sem sal), Lentilha, Brócolis, Cebola, Rabanete, Inhame, Batata-doce, Laranja-lima, Nectarina, Framboesa, Melão, Tangerina, Abacaxi.

Moderadamente alcalinos

Canela, Pimenta, Alho, Castanha-de-caju, Salsa, Couve, Endívia, Rúcula, Folha de mostarda, Laranja-pera, Amora, Manga. 

Alimentos pouco alcalinos

Chá verde, Vinagre de maçã, Ovo de codorna, Amêndoa,Gergelim, Pimentão, Nabo, Couve-flor, Repolho,Berinjela, Abóbora, Batata, Limão, Pera, Abacate, Maçã, Amora, Papaia, Pêssego, Manteiga clarificada (ghee), Quinoa, Arroz selvagem, Aveia, Óleo de coco, Azeite extravirgem, Sementes (a maioria), Beterraba, Alho-poró, Quiabo, Alface, Banana, Damasco, Mirtilo.

Revista VivaSaúde/ Edição 146



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